Humanidade

1 Carla Penz

Réquiem

Fujo da morte. Caminho por terras assoladas, de cinza abatido, e me apoio em árvores nuas, carbonizadas da raiz até o topo. Meus pés queimam em labaredas criminosas, minha pele derrete no calor extremo que exala da clareira onde antes eu encontrava descanso. Passam bichos em chamas, em agonia, e morrem mais adiante. Pássaros caem do céu, chuvas artificiais desabam de

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Vidas que passam

A primeira vez que a encontrei foi no parquinho de areia do bairro, na nossa cidade natal. Não sabia, confesso. Essa informação veio junto com uma fotografia já envelhecida que minha mãe resgatou, um registro diferente das fotos antigas tradicionais, sem poses ou cenas montadas. Mostrava, tão somente, uma mãozinha de criança, meio gordinha, chafurdando uma areia suja

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Será arte?

O casal visita um museu de arte contemporânea. Diante de quadros, esculturas e instalações, esdrúxulas e sem sentido, questionam um guia que, paciencioso, sugere que digam em voz alta o que sentem ao ver cada obra; ao fazer isso, ficariam mais suscetíveis à intenção do artista. E exemplifica: Nessa obra aqui, que parece somente um prato de macarrão num cercado no meio de uma sala pintada

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Desalento sobre tela

Na velha tela, cujo bastidor parece constrangido de tão gasto, espalhei como base a tinta branca meio encardida que encontrei no canto do atelier. Na sala contígua, vazia, pouco antes tinha alguém. Agora só, sem inspiração e entorpecido por natureza, resolvi pintar uma árvore. Para a copa usei salpicos de vários verdes, desorganizadamente atirados com

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Rolar para cima